Quando se estuda a história da Medicina e das primeiras explicações a respeito da saúde, doença e de fenômenos psicológicos, nos deparamos com a teoria dos humores, proposta por Hipócrates, lá na Antiguidade. O desequilíbrio na proporção de substâncias chamadas humores (sangue, fleuma, bile amarela e bile negra) ou uma mistura desequilibrada deles, causam os problemas de saúde manifestados pelas pessoas. A teoria dos humores foi utilizada por Galeno para explicar os diferentes temperamentos apresentados pelas pessoas, a saber: colérico, sanguíneo, fleumático e melancólico.

Era o início das explicações sobre estados afetivos/emocionais e de humor, cujas características interferem no jeito que o indivíduo lida com situações internas e com o seu contexto social (Rezende, 2009). Conforme a medicina avançou e também com o estabelecimento da psiquiatria e psicologia, o entendimento sobre humor, desenvolvimento psíquico e fenômenos psicológicos foram sendo ampliados. A ideia dos humores foi superada.

O estado emocional (ou estado de ânimo) básico e generalizado que uma pessoa demonstra em determinado momento é chamado de humor, que por sua vez, atravessa as experiências psíquicas do sujeito, podendo alterar as suas percepções diante do que do que ela está vivendo. O humor pode ser mais rebaixado ou excitado, de forma mais ou menos acentuada, com aumento ou diminuição de energia e disponibilidade para interações. (Dalgalarrondo, 2019).

Se fizermos uma comparação do humor com as formas de relevo, podemos associar às diferenças em relação a elevação ou rebaixamento. A região de depressão é o solo mais rebaixado (o humor diminuído) e a mais elevada tais como serra e montanha (humor mais elevado, hipomania e mania):

Humor e as suas variações

Quando o humor varia intensamente, prejudicando a relação com outras pessoas, com o trabalho e a qualidade de vida de forma geral, entende-se que um quadro de transtorno pode estar em curso. Nesses cenários, quando uma pessoa é avaliada por um médico psiquiatra, ele pode fazer o diagnóstico (ou não) de algum dos transtornos de humor e prescrever um medicamento. Além de remédios, o acompanhamento psicoterapêutico é muito importante para a melhora da condição mental. Existem vários transtornos de humor reconhecidos e, dentre eles, a depressão e o afetivo bipolar. Dentro de cada um deles, há nuances e manifestações diversas com relação ao humor do indivíduo.

O Lítio no vértice da saúde mental e da tecnologia

Uma das medicações mais tradicionalmente usadas para a bipolaridade é o lítio, conhecido como estabilizador de humor, com ação nos episódios de mania (humor excitado) e com menor ação na fase depressiva do transtorno (Stahl, 2014). O lítio (Li) é um elemento químico enquadrado como metal alcalino. No caso de medicamentos, o carbonato de Lítio (Li+) é conhecido como sal de lítio. Na indústria e tecnologia, o lítio é empregado na fabricação de baterias para celulares e veículos elétricos, além de suas variações entrarem na produção de graxas, vidros e cerâmicas, e ainda ser usado na metalurgia.

Referências

Lítio: o mineral estratégico que é protagonista na transição energética, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/mme/pt-br/assuntos/noticias/litio-o-mineral-estrategico-que-e-protagonista-na-transicao-energetica. Acessado em 26 nov. 2025.

Dalgalarrondo, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019.

Massabni, Antonio Carlos. A importância do lítio na psiquiatria. https://crqsp.org.br/a-importancia-do-litio-na-psiquiatria/, 2006.

Rezende, J. M. Dos Quatro Humores às Quatro Bases. In: À sombra do plátano: crônicas de história da medicina [online]. São Paulo: Editora Unifesp, 2009, pp. 49-53. História da Medicina series, vol. 2. ISBN 978-85-61673-63-5. https://doi.org/10.7476/9788561673635.0005.

Stahl, Stephen M. Psicofarmacologia: bases neurocientíficas e aplicações práticas. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.