Eco ansiedade: vamos falar sobre ela?
Eco-anxiety, também conhecida como ansiedade ecológica, é um termo criado pela American Psychological Association (APA), Associação Americana de Psicologia, que não está nos manuais diagnósticos (ou seja, ela não é reconhecida como um transtorno de ansiedade por si só) mas que faz sentido ser discutida e comentada. O termo abarca, genericamente, a ansiedade cuja angústia, preocupação, medo, e apreensão decorrem das mudanças climáticas globais. Não há um evento na história de vida da pessoa que a caracterize, mas sim a consciência dos desequilíbrios ambientais, assim como, de suas severas consequências, que trazem preocupações em relação ao futuro do planeta, assim como em relação às condições de vida incertas que enfrentaremos. Na verdade, parte das situações climáticas adversas já estamos enfrentando. O futuro é logo ali e de certa forma ele já chegou. Dando um contexto para esse assunto, em setembro de 2024, a fumaça de queimadas se espalhou por quase todo o território brasileiro. A temporada de seca de inverno e, as altas temperaturas anormais para essa época do ano, adicionaram mais elementos à um cenário cada vez mais preocupante. As notícias abaixo trazem informações sobre a problemática: https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2024/09/09/fumaca-de-incendios-na-amazonia-cobre-o-ceu-do-brasil-e-pode-chegar-a-argentina-e-ao-uruguai.ghtml https://www.brasildefato.com.br/2024/09/14/70-das-queimadas-no-brasil-em-2024-destruiram-vegetacao-nativa https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/veja-como-fumaca-de-queimadas-no-brasil-se-espalhou-no-ultimo-mes https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2024/09/11/as-8-imagens-mais-impressionantes-da-seca-e-das-queimadas-no-brasil.ghtml Ao olhar para o horizonte e para o céu cinza, era perceptível que havia fuligem na atmosfera. O sol em um tom estranho de laranja também indicava que muitas particulas estavam em suspensão no ar. Quanto mais próximo à locais dos focos de queimadas, mais a fumaça fez parte da rotina das pessoas por dias e dias. Mudanças climáticas, desequilíbrio ecológico, aquecimento global, esgotamento dos solos, derretimento de geleiras, desmatamento, micro plásticos nos oceanos, devastação de biomas, extinção de espécies animais e vegetais, chuva ácida, entre outros, são problemáticas que requerem ações coletivas e complexas. Governos, autoridades, instituições públicas e privadas precisam de objetivos e ações concretas para o curto, médio e longo prazos. O futuro incerto e, as mudanças climáticas já claramente perceptíveis (aos olhos e na pele), são estímulos para a chamada eco ansiedade. Já escrevi aqui no blog sobre a ansiedade em si, seus sintomas e como ela pode se apresentar de maneira disfuncional, é só clicar no link a seguir: Daqui me despeço! Até o próximo post.
Ansiedade, quem te convidou?
Cheia de malas, sem pressa de ir embora Quando a ansiedade foi revelada como uma novidade para o filme DivertidaMente 2, foi um alvoroço na internet: muitos comentários e memes foram feitos. Logo já se criaram expectivas de como seria vê-la em ação durante o filme. Claro que alguma coisa ela iria aprontar, com certeza (eu mesma pensei isso). Enquanto personagem de animação, ansiedade foi representada com a cor laranja e uma blusa listrada (que é uma estampa repetitiva). O laranja é a cor ligada à energia e excitação e os adjetivos que são atribuídos à ela são: frenético, impulsivo e intrusivo. Para obter o laranja é necessário a mistura das cores amarela e vermelha, que também são relacionadas à energia. Mas quem convidou a ansiedade? Na verdade, ela não precisa de convite (não é possível). A ansiedade, enquanto uma manifestação mental humana, acontece naturalmente na vida das pessoas. É possivel percebê-la quando estamos diante de alguma situação ou estímulo estressor, desconhecido ou que seja entendido como um risco. É uma reação ligada à sobrevivência do organismo e traz consigo reações fisiológicas que mobilizam comportamentos de luta ou fuga. Alguns sintomas de ansiedade são: tensão muscular, prevalência do estado de vigilia, aceleração dos batimentos cardíacos, sudorese e tremores. O medo, quando se associa à ansiedade, apresenta-se de maneira intensa, desporporcional ou até mesmo incontrolável diante de algum estímulo ou situação específicos e pode mobilizar comportamentos de esquiva. Além disso, preocupações constantes e repetitivas, inseguranças e apreensões sobre o futuro podem fazer parte dos pensamentos da pessoa. A ansiedade é, portanto, uma sensação desconfortável, tanto fisicamente, quanto psiquicamente. Nos quadros ansiosos, ela atrapalha a qualidade de vida da pessoa, trazendo sofrimento. Dessa forma, a ansiedade é considerada um transtorno e exige mais atenção. Muitos fatores podem contribuir com o estabelecimento dos mais diversos tipos de transtornos de ansiedade. Situações da história de vida, vivências traumáticas, fatores hereditários e aspectos da personalidade do indivíduo podem contribuir para uma estado psíquico que exija um acompanhamento de profissionais da saúde, tais como psicóloga e psiquiatra. De acordo com o mais recente relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde) – “World mental health report: transforming mental health for all” (ou seja, “Relatório mundial sobre saúde mental: transformando a saúde mental para todos”, 2022), 13% da população mundial (970 milhões de pessoas) enfrentam algum transtorno de ordem mental. Dessa parcela, os transtornos de ansiedade estão presentes em 31% das pessoas, ou seja, são os prevalentes. A psicoterapia pode auxiliar pessoas com transtornos de ansiedade? Sim, bastante. Seja qual for a abordagem utilizada pela psicóloga, a psicoterapia é muito importante para o tratamento da ansiedade. Através dos relatos da/o paciente e a escuta profissional da terapeuta, é possível reconhecer os momentos que intensificam os sintomas ansiosos. Com o processo terapêutico, a percepção de si é ampliada e a identificação das causas da ansiedade acontece e, então, podem ser elaboradas junto com a psicóloga. Além disso, antes de mais nada, o acolhimento da psicoterapeuta pode promover o alívio do sofrimento desencadeado pela ansiedade. Esse é um assunto amplo e merece mais de uma postagem. Daqui me despeço. Até o próximo post. Referências American Psychiatric Association (APA). DSM V – Diagnostic and Statistical Manual for Mental Disorders, 5th version. Washington (DC): American Psychiatric Press, 2013. Castillo, A. R. G. et al.. Transtornos de ansiedade. Brazilian Journal of Psychiatry, v. 22, p. 20–23, dez. 2000. Dalgalarrondo, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais, 3. ed., Porto Alegre: Artmed, 2019. Heller, Eva. A psicologia das cores: como as cores afetam a emoção e a razão. Tradução Maria Lúcia Lopes da Silva, 1. ed. São Paulo: Gustavo Gili, 2013. World Health Organization. World mental health report: transforming mental health for all. Geneva. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789240049338. Acesso em 17 de agosto de 2024.
