Sherazade e a trama da sobrevivência

Conheça a história da icônica heroína e narradora das histórias das “Mil e Uma Noites”

Queria ser amiga dela

Todo mundo sabe que Sherazade é uma personagem memorável e excelente contadora de histórias lá do médio oriente. Mas você sabe qual é a dela? É nas primeiras páginas do volume 1 das 1001 noites que ficamos sabendo o motivo dela contar histórias, noite após noite. Antes de qualquer narrativa, existiu todo um contexto, uma moldura, o enredo zero. A partir dele, todos os outros foram sendo tecidos com coragem, perspicácia e um propósito maior, como a tecitura de uma tapeçaria antiga e mágica.

A história número zero

No volume um do “Livro das Mil e Uma Noites”, ramo Sírio, é contado que havia um rei/sultão chamado Shahryar, casado, que estava planejando uma grande viagem e gostaria que o seu irmão Schazzenan fosse com ele. O irmão, ainda abalado com a recente descoberta de uma traição em seu casamento e após matar a sua própria esposa, decide não ir. Shahryar partiu então com a sua caravana e Schazzenan ficou no palácio. Nesse interim, a esposa do rei Shahryar o trai. Quando o rei retorna, seu irmão conta o que viu e Shahryar assassina cruelmente a rainha. Cheio de ódio e vontade de vingança, ele decide casar com uma moça por dia e mandar matá-la na manhã seguinte.

Diante da morte de várias moças, sem que ninguém conseguisse parar isso tudo, Sherazade decide se casar com Shahryar e por fim às mortes. O seu pai, que é o vizir do rei, tenta convencê-la a não fazer isso, mas ela vai em frente e se casa, levando a sua irmã Dinazade junto para executarem um plano. Após o casamento, à noite, ela coloca em prática a sua estratégia combinada com a sua irmã: Dinazade bate na porta do quarto de Sherazade e pede que lhe conte uma história. Sherazade começa então a contar uma história, tendo o rei Shahryar e Dinazade como seus ouvintes.

No amanhecer, ela parou de contar a história em um ponto emocionante e decisivo, prometendo continuar somente à noite. Com isso, Shahryar fica curioso e envolvido e não manda matarem Sherazade. Assim, noite após noite, as várias histórias contadas possibilitaram que Sherazade, e as demais moças do reino, continuassem vivas.

Há um vídeo muito interessante da Renata no qual ela explica a simbologia em torno da obra e do número 1001: Culturaria da Rê https://youtu.be/EmWypGmVogs?si=yDBmCJ113SO85NG5

Enfim…

Que os homens parem de cometer violências e de matarem as mulheres, sem que nós tenhamos que pensar o tempo todo em modos de escaparmos e permanecermos vivas. A lei do feminicídio (Lei n. 14.994) entrou em vigor em 2015 e, em 2025, o Brasil registrou o maior número, em 10 anos, desse crime (ANUÁRIO BRASILEIRO DE
SEGURANÇA PÚBLICA, 2025).

Além do cumprimento efetivo das leis (Lei Maria da Penha, que completará 20 anos agora em 2026, e a lei do feminicídio) e a consequente punição dos agressores, sabemos que temos um grande desafio a superar enquanto sociedade: o machismo estrutural, que ainda é muito presente em nossa rotina e é o pano de fundo para que situações de violência tão estarrecedoras continuem acontecendo dia após dia e dia e noite após noite.

Daqui me despeço, até o próximo post!

Referências

Livro das mil e uma noites, volume 1, ramo sírio. Editora Biblioteca Azul.

Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2025) ANUÁRIO BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA 2025. Disponível em: https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2025/07/anuario-2025.pdf

Esse artigo foi escrito por:

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Jacqueline Bonardi Tavares

Psicóloga – CRP 06/201399

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