Quando eu era criança, lembro de assistir um desenho na tv Cultura chamado Meena. Um dos episódios mostrava as atividades da rotina dela e as de seu irmão, e eram bem diferentes: Meena ocupava parte de seu dia com afazeres domésticos, enquanto que o seu irmão podia brincar e descansar. Esse desenho é dos anos 90, foi produzido com foco nas populações asiáticas, como o Paquistão e Bangladesh, por exemplo, e países do sul do continente asiático. Embora muitas coisas tenham mudado, pensando agora aqui no ocidente, não é difícil perceber que ainda esbarramos em divisões de tarefas para meninos e meninas até hoje.

O mesmo vale para os brinquedos tradicionalmente destinados às meninas e aos meninos.
E em relação à mulher adulta, em 2026, o que isso tem a ver?
Não é segredo pra ninguém: a rotina das mulheres é mais recheada de coisas que a dos homens. As horas do dia, na maioria das vezes, são divididas entre trabalho, afazeres domésticos, cuidados com filhos, com pessoas mais velhas da família, com a própria saúde, estudos e o que mais for necessário de acordo com o padrão e o estilo de vida da mulher. As mulheres trabalham, por semana, 10 horas a mais que os homens, em média, de acordo com o Relatório Mundial sobre a Desigualdade 2026 baseado no período de 2020-2025.

Todo esse cenário traz sobrecarga, influenciando no físico e no mental das mulheres, fora a desvalorização estrutural do trabalho feminino, seja ele remunerado ou não. No livro “O lado invisível da economia”, Katrine Marçal argumenta que todo o trabalho doméstico e de cuidados, ou seja não remunerados, realizado pelas mulheres viabilizou, e ainda viabiliza, a estrutura econômica e de poder vigentes, na qual os homens desempenham, na grande maioria, as funções que são melhor remuneradas e mais valorizadas.
E ainda por cima…
…existem as pressões relacionadas à aparência e ao comportamento somando preocupações e expectativas à vida das mulheres, fatos que não são de hoje. Enfrentamos ainda o medo de sofrer algum tipo de violência por parte de um desconhecido na rua ou até mesmo por um companheiro. Isso tudo impacta nossas rotinas e ocupa o nosso mental com grande pesar.
Todos esses fatores acarretam em um maior número de casos de transtornos mentais (tais como ansiedade e depressão, entre outros) em mulheres.
Enfim, muitos outros fatores poderiam ser adicionados ao tema, mas daqui me despeço. Até mais.

