Do que estamos falando quando o assunto é saúde mental feminina?

Quando eu era criança, lembro de assistir um desenho na tv Cultura chamado Meena. Um dos episódios mostrava as atividades da rotina dela e as de seu irmão, e eram bem diferentes: Meena ocupava parte de seu dia com afazeres domésticos, enquanto que o seu irmão podia brincar e descansar. Esse desenho é dos anos 90, foi produzido com foco nas populações asiáticas, como o Paquistão e Bangladesh, por exemplo, e países do sul do continente asiático. Embora muitas coisas tenham mudado, pensando agora aqui no ocidente, não é difícil perceber que ainda esbarramos em divisões de tarefas para meninos e meninas até hoje. O mesmo vale para os brinquedos tradicionalmente destinados às meninas e aos meninos. E em relação à mulher adulta, em 2026, o que isso tem a ver?  Não é segredo pra ninguém: a rotina das mulheres é mais recheada de coisas que a dos homens. As horas do dia, na maioria das vezes, são divididas entre trabalho, afazeres domésticos, cuidados com filhos, com pessoas mais velhas da família, com a própria saúde, estudos e o que mais for necessário de acordo com o padrão e o estilo de vida da mulher. As mulheres trabalham, por semana, 10 horas a mais que os homens, em média, de acordo com o Relatório Mundial sobre a Desigualdade 2026 baseado no período de 2020-2025. Todo esse cenário traz sobrecarga, influenciando no físico e no mental das mulheres, fora a desvalorização estrutural do trabalho feminino, seja ele remunerado ou não. No livro “O lado invisível da economia”, Katrine Marçal argumenta que todo o trabalho doméstico e de cuidados, ou seja não remunerados, realizado pelas mulheres viabilizou, e ainda viabiliza, a estrutura econômica e de poder vigentes, na qual os homens desempenham, na grande maioria, as funções que são melhor remuneradas e mais valorizadas. E ainda por cima… …existem as pressões relacionadas à aparência e ao comportamento somando preocupações e expectativas à vida das mulheres, fatos que não são de hoje. Enfrentamos ainda o medo de sofrer algum tipo de violência por parte de um desconhecido na rua ou até mesmo por um companheiro. Isso tudo impacta nossas rotinas e ocupa o nosso mental com grande pesar. Todos esses fatores acarretam em um maior número de casos de transtornos mentais (tais como ansiedade e depressão, entre outros) em mulheres. Enfim, muitos outros fatores poderiam ser adicionados ao tema, mas daqui me despeço. Até mais.

Sherazade e a trama da sobrevivência

Conheça a história da icônica heroína e narradora das histórias das “Mil e Uma Noites” Todo mundo sabe que Sherazade é uma personagem memorável e excelente contadora de histórias lá do médio oriente. Mas você sabe qual é a dela? É nas primeiras páginas do volume 1 das 1001 noites que ficamos sabendo o motivo dela contar histórias, noite após noite. Antes de qualquer narrativa, existiu todo um contexto, uma moldura, o enredo zero. A partir dele, todos os outros foram sendo tecidos com coragem, perspicácia e um propósito maior, como a tecitura de uma tapeçaria antiga e mágica. A história número zero No volume um do “Livro das Mil e Uma Noites”, ramo Sírio, é contado que havia um rei/sultão chamado Shahryar, casado, que estava planejando uma grande viagem e gostaria que o seu irmão Schazzenan fosse com ele. O irmão, ainda abalado com a recente descoberta de uma traição em seu casamento e após matar a sua própria esposa, decide não ir. Shahryar partiu então com a sua caravana e Schazzenan ficou no palácio. Nesse interim, a esposa do rei Shahryar o trai. Quando o rei retorna, seu irmão conta o que viu e Shahryar assassina cruelmente a rainha. Cheio de ódio e vontade de vingança, ele decide casar com uma moça por dia e mandar matá-la na manhã seguinte. Diante da morte de várias moças, sem que ninguém conseguisse parar isso tudo, Sherazade decide se casar com Shahryar e por fim às mortes. O seu pai, que é o vizir do rei, tenta convencê-la a não fazer isso, mas ela vai em frente e se casa, levando a sua irmã Dinazade junto para executarem um plano. Após o casamento, à noite, ela coloca em prática a sua estratégia combinada com a sua irmã: Dinazade bate na porta do quarto de Sherazade e pede que lhe conte uma história. Sherazade começa então a contar uma história, tendo o rei Shahryar e Dinazade como seus ouvintes. No amanhecer, ela parou de contar a história em um ponto emocionante e decisivo, prometendo continuar somente à noite. Com isso, Shahryar fica curioso e envolvido e não manda matarem Sherazade. Assim, noite após noite, as várias histórias contadas possibilitaram que Sherazade, e as demais moças do reino, continuassem vivas. Há um vídeo muito interessante da Renata no qual ela explica a simbologia em torno da obra e do número 1001: Culturaria da Rê https://youtu.be/EmWypGmVogs?si=yDBmCJ113SO85NG5 Enfim… Que os homens parem de cometer violências e de matarem as mulheres, sem que nós tenhamos que pensar o tempo todo em modos de escaparmos e permanecermos vivas. A lei do feminicídio (Lei n. 14.994) entrou em vigor em 2015 e, em 2025, o Brasil registrou o maior número, em 10 anos, desse crime (ANUÁRIO BRASILEIRO DESEGURANÇA PÚBLICA, 2025). Além do cumprimento efetivo das leis (Lei Maria da Penha, que completará 20 anos agora em 2026, e a lei do feminicídio) e a consequente punição dos agressores, sabemos que temos um grande desafio a superar enquanto sociedade: o machismo estrutural, que ainda é muito presente em nossa rotina e é o pano de fundo para que situações de violência tão estarrecedoras continuem acontecendo dia após dia e dia e noite após noite. Daqui me despeço, até o próximo post! Referências Livro das mil e uma noites, volume 1, ramo sírio. Editora Biblioteca Azul. Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2025) ANUÁRIO BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA 2025. Disponível em: https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2025/07/anuario-2025.pdf

Pets, aliados da nossa saúde

Qual é a relação entre animais de estimação e a saúde mental humana? A companhia e a proximidade com eles podem realmente trazer alívio para questões emocionais? Em algum momento desse texto chegaremos mais objetivamente no que podemos chamar de benefícios dos pets para a saúde mental das pessoas. Mas, antes disso, vou trazer um pouco sobre a proximidade de duas referências da área médica e os seus próprios animais de estimação, assim como de seus contextos clínicos. Animais de estimação no cuidado terapêutico ao longo da história Especificamente em saúde mental, a primeira utilização de cachorros e outros animais para fins terapêuticos de maneira expressiva foi através de William Tuke, em 1792, em um hospital na Inglaterra, ao buscar meios de humanizar o tratamento de questões psíquicas. Outro nome importante nesse cenário é o de Florence Nightingale (1860), cujo trabalho hospitalar a partir da interação entre doentes e animais de estimação indicou a potencialidade terapêutica da interação ser humano-animal. Ainda no século XIX, iniciativas e trabalhos semelhantes ocorreram em outros locais da Inglaterra e na Alemanha. Freud: pai da psicanálise e também de pet Freud (1856 – 1939), como todo mundo já sabe, foi o criador da psicanálise e, obviamente, da técnica clássica de análise do inconsciente. De acordo com cartas escritas por ele e a partir de relatos de uma paciente, Freud por vezes fazia os seus atendimentos com um de seus cachorros, Jofi (Yofi). A presença canina deixava o ambiente mais acolhedor e, de certa forma, estimulava a comunicação do paciente. Além disso, mudanças sutis no comportamento de Yofi muitas vezes indicavam o estado emocional da pessoa naquele momento. Nise da Silveira e a ampliação do cuidado Nise (15/02/1905 – 30/10/1999), ao trabalhar como psiquiatra no hospital do Engenho de Dentro (Centro psiquiátrico Pedro II, Rio de Janeiro) utilizou abordagens e tratamentos totalmente diferentes dos praticados na época. Indignada com a técnica de eletrochoque e com as condições do local, Nise começou a usar recursos como pintura, escultura e desenho nos seus atendimentos. Estudiosa da psicologia analítica fundada por Jung, estabeleceu uma clínica mais profunda para o tratamento de questões psíquicas graves. Dentro do hospital, Nise permitia que cachorros convivessem com os pacientes do setor que ela trabalhava. Com isso, ela pôde acompanhar e estudar como a convivência com animais de estimação poderia contribuir para a melhora das questões psíquicas e emocionais. A construção de vínculos afetivos foi um dos grandes ganhos para os pacientes. Além disso, a rotina com os cachorros estabelecia um ponto de ligação daquelas pessoas com a realidade. Para Nise, os animais eram considerados coterapeutas. Nise era tutora de gatos e existem diversas fotos dela com eles. Em 1962, nos Estados Unidos, o trabalho do psiquiatra Boris Levinson trouxe a temática para a esfera acadêmica publicando trabalhos sobre a utilização de seu cachorro Jingles em sessões de psicoterapia com crianças, enfatizando o ganho na comunicação, redução da ansiedade e favorecimento das interações sociais. Boris publicou “O cachorro como um coterapeuta” (1962) e “Animais: uma Técnica Especial na Psicoterapia Infantil” (1972) e, neste último, estabeleceu o termo “Pet Therapy”. Terapia Assistida por Animais (TAA), aqui e agora O termo para designar as terapias que utilizam animais como facilitadores para cuidados cognitivos, físicos e psicossociais foi determinado em 1996 e, atualmente, a classificação “Intervenções Assistidas por Animais” abarca mais de um termo para os trabalhos terapêuticos que utilizam a interação homem-animal para os mais diversos tratamentos/acompanhamentos de saúde. A TAA pode ser utilizada por diferentes profissionais da área da saúde (e não só psicólogas e psiquiatras), com objetivos pensados e de acordo com as demandas do paciente. Neste contexto, o animal tem o papel de facilitador do trabalho terapêutico. Atualmente, é comum encontrarmos Terapias Assistidas por Animais (TAA), assim como a presença de animais de suporte emocional (Animais de Suporte Emocional, ASE) no cotidiano de pessoas com ansiedade e depressão, por exemplo, auxiliando também na lida com o estresse e dores crônicas. Os efeitos terapêuticos da interação pessoa-pet também são valiosos para pessoas com Alzheimer, autismo e outras condições. Vale ressaltar que além do bem-estar das pessoas, deve-se cuidar da saúde e qualidade de vida dos animais que são empregados nesses tipos de serviços, tendo em vista também as questões éticas e técnicas que regem os profissionais das mais diversas áreas da saúde, tendo em vista o caráter multidisciplinar da TAA. No Brasil, esse tipo de terapia ainda precisa ser reconhecido/orientada pelo Conselho Federal de Psicologia, quem sabe um dia… Enfim… Pessoas, com transtornos mentais ou não, fazendo análise ou terapias de outras abordagens, podem se beneficiar do convívio com os pets. A companhia deles e os passeios/caminhadas com cachorros, por exemplo, ajudam a contornar a solidão, motivam a prática de uma atividade física (a caminhada) e criam a necessidade de uma rotina e responsabilidade acerca dos cuidados com o pet. A sensação de bem-estar e a diminuição do stress também se fazem presentes, uma vez que o contato com os animais promove a diminuição do cortisol (hormônio do stress) e a liberação de oxitocina (relacionada ao amor e vínculos afetivos). Referência Lima, Rafael Ambrosio de. Psicoterapets, a terapia assistida por animais pode ser utilizada pela psicologia para beneficiar a saúde mental? Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Psicologia) – da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2025.

Desenvolvimento humano: de dentro pra fora ou de fora para dentro?

Tem um passado no meu presente Quando nascemos somos totalmente vulneráveis e dependentes de outras pessoas, sob muitos aspectos, e por muito anos. Sobra a organização psíquica, as relações e as conexões que experimentamos e construímos desde os primeiros meses de vida são fundamentais para as que acontecerão ao longo da vida. Além do desenvolvimento emocional, o cognitivo também tem as suas bases nas interações sociais. Podemos entender todas esses pontos mencionados acima a partir de aspectos internos e externos do psiquismo, vamos a elas. O que acontece dentro e fora de nós que nos estrutura? Vygotsky: o social e a linguagem Lev Vygotsky (1896 – 1934), em seus trabalhos, nos indica que o desenvolvimento psicológico humano acontece a partir do contexto social, sendo a linguagem um instrumento de suma importância para tal processo acontecer.Ele elabora que o desenvolvimento mental e a aprendizagem são promovidos pelo entorno social do sujeito, especialmente quando se fala sobre a relação entre alguém que sabe mais/tem mais experiência e aquele que tem um potencial de desenvolvimento (e ainda vivenciou pouco). Esse entendimento diz sobre a natureza de aspectos cognitivos da mente: pensamento, aprendizagem e linguagem. A publicação “Formação social da mente” é uma grande referência para a psicologia a partir de um olhar histórico e social. Freud, o inconsciente, os afetos e as estruturas psíquicas Freud (1865 – 1939), na virada do século XIX para o XX, fundou a Psicanálise, cujo foco de estudo é o inconsciente. Ele propôs uma explicação inovadora para a época a respeito do desenvolvimento psicológico e emocional, estabelecendo as fases psicossexuais, os conceitos de pulsões, os mecanismos de defesa e a estruturação do Eu e do SuperEu. Em suas publicações mais tardias em sua carreira, Freud trouxe o início da compreensão das relações de objeto, narcisismo, luto e melancolia. Leia também: Freud e Vygotsky eram contemporâneos e, cada um com sua clínica e abordagem, contribuíram para um maior entendimento sobre o desenvolvimento psíquico humano. Da mesma maneira, psicanalistas pós-freudianos (tais como Melanie Klein, Anna Freud, Winnicott, Ferenczi, Lacan, Bollas, Ogden, entre muitos outros) puderam colaborar para a ciência da Psicanálise, trazendo ampliações nos âmbitos das relações de objeto, formação do Ego, simbolização, linguagem, fases e posições do desenvolvimento psíquico, intersubjetividade, entre tantos outros conceitos importantes para a psicanálise moderna. Bollas: o inconsciente receptivo, as relações primordiais e a estruturação do eu Vamos pensar nas contribuições de um desses profissionais pós freudianos: Christopher Bollas. Ele nasceu em 1943, ou seja, depois da morte de Freud (1939) e de Vygotsky (1934) e é um psicanalista que têm ampliado os conhecimentos a respeito do desenvolvimento da subjetividade e do self, à luz das relações de objeto. Isso significa que as interações entre bebê e seu cuidador mais próximo estruturam a psique humana. Relação essa que está inserida em uma cultura e em determinado tempo histórico, devemos nos lembrar. Antes do pensamento ou da simbolização de conteúdos, há um inconsciente receptivo que tem contato com as experiências proporcionadas pela interação direta com um cuidador, que supre as necessidades do bebê (fisiológicas e afeto) e tem papel fundamental no desenvolvimento do self do indivíduo. Nos primeiros meses, o Ego do bebê é a sua mãe: eles são um só. À medida que ocorrem sensibilizações no inconsciente desse bebê através dos cuidados e dos comportamentos vindos de sua cuidadora, ocorrem transformações intrapsíquicas que estruturam um eu próprio e singular, o Self do bebê. A libido do bebê direcionada a um objeto exterior (a mãe) e as introjeções das experiências vividas com ela estruturam de maneira particular esse funcionamento psíquico e irá ressoar pelo restante da vida do indivíduo. Posteriormente, a relação triangular mãe-bebê-pai se apresentará em um cenário psíquico em curso. Nesse contexto, a pulsão de destino, ou seja, a libido direcionada ao objeto de amor entra em disputa. Essas vivências são condensadas no inconsciente receptivo, sendo fonte para as relações de objeto futuras, elaboradas em outras fases da vida. O inconsciente é fonte de possibilidades e de criatividade, e é organizado em uma estética impressa a partir das relações de objeto mais primordiais da vida do bebê, em um idioma compartilhando entre eles. A linguagem como simbolização (em uma comunicação sistematizada e com significados), as formas de ser/se expressar no mundo, as reações diante do que acontece ao redor e a comunicação em um determinado idioma com as demais pessoas são processos em alguma medida tem relação com conteúdos que se associaram no inconsciente receptivo lá nos primórdios do desenvolvimento psíquico, oriundos das relações objetais originais, que estruturaram o Eu e que ressoam nas relações intersubjetivas do momento presente da pessoa. Em análise, experiências aglutinadas, representantes das pulsões e sintomas podem encontrar brechas para serem simbolizados e também elaborados com a relação de transferência promovida pela psicoterapia psicanalítica. Ligando os pontos: dentro, fora e entre As experiências primordiais inconscientes, cujo potencial criativo tem influência na formação de símbolos, signos, sentidos (e significados) na consciência, são estruturadas por meio das relações sociais e da cultura. Portanto, o desenvolvimento do psiquismo não está isolado de seu entorno e o que acontece internamente em cada pessoa é fundamental para as demais relações objetais que ainda serão construídas ao longo da vida. Referências Bollas, C. A Pulsão do Destino. In: Forças do Destino: Psicanálise e idioma humano. Editora Imago, Rio de Janeiro, 1992. FREUD, S. O eu e o id. In: Obras completas, vol. 16. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. Nettleton, Sara. Cap. 2 Inconsciente receptivo e genera psíquico. In: Nettleton, Sara. A metapsicologia de Christopher Bollas. Editora: Escuta, São Paulo, 2018. RAMOS, J. F. S.; RIBEIRO, M. F. DA R.. O momento estético como potencialidade de vida e de futuro. Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, v. 25, n. 3, p. 710–730, jul. 2022. https://www.scielo.br/j/rlpf/a/ZM86CsTcTvxSPfV8gfLXbCG/?lang=pt. Acessado em 27/10/2025. ROSA, Ana Paula Marques da; GOI, Mara Elisângela Jappe. Teoria socioconstrutivista de Lev Vygotsky: aprendizagem por meio das relações e interações sociais. Revista Educação Pública, Rio de Janeiro, v. 24, nº 10, 26 de março de 2024. Disponível

Por que sou assim?

Humor, temperamento, personalidade e tudo mais Logo nas primeiras páginas do livro “Vinte mil léguas submarinas” de Júlio Verne (1870) conhecemos um personagem Conseil, que é descrito da seguinte maneira pelo professor Aronnax: “Conseil era meu criado. Um rapaz dedicado que me acompanhava em todas as minhas viagens; um corajoso flamengo de quem eu gostava muito e que gostava muito de mim; um ser fleumático por natureza, regrado por princípio, zeloso por hábito, pouco afeito a se surpreender com as surpresas da vida, muito habilidoso com as mãos, apto para qualquer serviço, e, apesar do seu nome, alguém que nunca dava conselhos, mesmo quando lhe eram solicitados.” p. 19-20 Essa breve descrição traz vários adjetivos de Conseil e vou me concentrar em um deles aqui nesse texto: fleumático, uma palavra que vem desde os primórdios da história da medicina. No paragrafo apresentado, Aronnax nos comunica o jeito de ser de seu empregado e como ele lida com as coisas da rotina. Basicamente, foi nos contado como é o temperamento/a personalidade de Conseil. Mas, o que é personalidade? Diversas explicações foram sendo propostas para explicar a saúde, a doença, inclusive os fenômenos psicológicos. Um exemplo é a chamada teoria dos humores, proposta por Hipócrates (460 a.C.-377 a.C.), na Antiguidade. O desequilíbrio na proporção de substâncias chamadas humores (sangue, fleuma, bile amarela e bile negra) ou uma mistura incorreta deles, causariam os problemas de saúde manifestados pelas pessoas (Rezende, 2009). A origem da palavra humor na língua portuguesa é do latim e significa “fluido, linfa”. O predomínio de um dos humores, segundo Galeno (129-200 d.C.) determinaria um tipo específico de temperamento, ligado ao comportamento do indivíduo: colérico, sanguíneo, fleumático e melancólico (Rezende, 2009). E personalidade? Com o avanço da medicina como um todo e, posteriormente, a psiquiatria e psicologia, o entendimento do jeito de ser de cada um e de como cada pessoa lida com o que acontece ao seu redor foram sendo ampliados. De maneira geral, a personalidade diz respeito às características únicas do psiquismo de uma pessoa que influenciam a forma como ela age e interage com as demais pessoas e com o as situações ao seu redor. A personalidade envolve aspectos biológicos e contextuais da vida do indivíduo. Tais peculiaridades conferem certa estabilidade em relação à maneira de ser de cada um a medida que o psiquismo se desenvolve (Schultz, 2015). Existe mais de uma explicação para o desenvolvimento da personalidade: psicanalítica, genética, humanista, cognitiva, comportamental e social (Schultz, 2015). Essas categorias de análise, visões de mundo e concepções de ser humano são abordagens diferentes da Psicologia. Referências Schultz, Duane P. Teorias da personalidade, 3. ed. São Paulo, SP: Cengage Learning, 2015. Ito, P. do C. P., & Guzzo, R. S. L.. (2002). Temperamento: características e determinação genética. Psicologia: Reflexão E Crítica, 15(2), 425–436. https://doi.org/10.1590/S0102-79722002000200019 Rezende, J. M. Dos Quatro Humores às Quatro Bases. In: À sombra do plátano: crônicas de história da medicina [online]. São Paulo: Editora Unifesp, 2009, pp. 49-53. História da Medicina series, vol. 2. ISBN 978-85-61673-63-5. https://doi.org/10.7476/9788561673635.0005.

Lítio, pessoas e máquinas

Quando se estuda a história da Medicina e das primeiras explicações a respeito da saúde, doença e de fenômenos psicológicos, nos deparamos com a teoria dos humores, proposta por Hipócrates, lá na Antiguidade. O desequilíbrio na proporção de substâncias chamadas humores (sangue, fleuma, bile amarela e bile negra) ou uma mistura desequilibrada deles, causam os problemas de saúde manifestados pelas pessoas. A teoria dos humores foi utilizada por Galeno para explicar os diferentes temperamentos apresentados pelas pessoas, a saber: colérico, sanguíneo, fleumático e melancólico. Era o início das explicações sobre estados afetivos/emocionais e de humor, cujas características interferem no jeito que o indivíduo lida com situações internas e com o seu contexto social (Rezende, 2009). Conforme a medicina avançou e também com o estabelecimento da psiquiatria e psicologia, o entendimento sobre humor, desenvolvimento psíquico e fenômenos psicológicos foram sendo ampliados. A ideia dos humores foi superada. O estado emocional (ou estado de ânimo) básico e generalizado que uma pessoa demonstra em determinado momento é chamado de humor, que por sua vez, atravessa as experiências psíquicas do sujeito, podendo alterar as suas percepções diante do que do que ela está vivendo. O humor pode ser mais rebaixado ou excitado, de forma mais ou menos acentuada, com aumento ou diminuição de energia e disponibilidade para interações. (Dalgalarrondo, 2019). Se fizermos uma comparação do humor com as formas de relevo, podemos associar às diferenças em relação a elevação ou rebaixamento. A região de depressão é o solo mais rebaixado (o humor diminuído) e a mais elevada tais como serra e montanha (humor mais elevado, hipomania e mania): Humor e as suas variações Quando o humor varia intensamente, prejudicando a relação com outras pessoas, com o trabalho e a qualidade de vida de forma geral, entende-se que um quadro de transtorno pode estar em curso. Nesses cenários, quando uma pessoa é avaliada por um médico psiquiatra, ele pode fazer o diagnóstico (ou não) de algum dos transtornos de humor e prescrever um medicamento. Além de remédios, o acompanhamento psicoterapêutico é muito importante para a melhora da condição mental. Existem vários transtornos de humor reconhecidos e, dentre eles, a depressão e o afetivo bipolar. Dentro de cada um deles, há nuances e manifestações diversas com relação ao humor do indivíduo. O Lítio no vértice da saúde mental e da tecnologia Uma das medicações mais tradicionalmente usadas para a bipolaridade é o lítio, conhecido como estabilizador de humor, com ação nos episódios de mania (humor excitado) e com menor ação na fase depressiva do transtorno (Stahl, 2014). O lítio (Li) é um elemento químico enquadrado como metal alcalino. No caso de medicamentos, o carbonato de Lítio (Li+) é conhecido como sal de lítio. Na indústria e tecnologia, o lítio é empregado na fabricação de baterias para celulares e veículos elétricos, além de suas variações entrarem na produção de graxas, vidros e cerâmicas, e ainda ser usado na metalurgia. Referências Lítio: o mineral estratégico que é protagonista na transição energética, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/mme/pt-br/assuntos/noticias/litio-o-mineral-estrategico-que-e-protagonista-na-transicao-energetica. Acessado em 26 nov. 2025. Dalgalarrondo, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. Massabni, Antonio Carlos. A importância do lítio na psiquiatria. https://crqsp.org.br/a-importancia-do-litio-na-psiquiatria/, 2006. Rezende, J. M. Dos Quatro Humores às Quatro Bases. In: À sombra do plátano: crônicas de história da medicina [online]. São Paulo: Editora Unifesp, 2009, pp. 49-53. História da Medicina series, vol. 2. ISBN 978-85-61673-63-5. https://doi.org/10.7476/9788561673635.0005. Stahl, Stephen M. Psicofarmacologia: bases neurocientíficas e aplicações práticas. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

Novamente e outra vez

Escrevo esse texto no primeiro dia de dezembro de 2025, ou seja, com 2026 já batendo na porta. Fim do ano e começo de outro: um exemplo mais clássico e comum para todos nós que esse, impossível. “Tu vens, tu vens…”, como diz a canção. Além do derradeiro fim de ano, são muitos os exemplos de repetição do cotidiano: música, rotina, ciclos na natureza, atitudes, comportamentos, pensamentos, hábitos, costumes, estampas repetitivas, mantras, orações, poesias, entre muitos outros exemplos. A repetição envolve previsibilidade, sendo uma forma de lidar com algo já conhecido, mesmo que não faça sentido ou que seja desconfortável. Sabe quando fazemos o que fazemos meio no “automático” ou sem parar para pensar o por quê? É na psicoterapia que temos a chance de encararmos as questões mais profundas a respeito disso e de nossa psiquê. A repetição para a psicanálise Para a psicanálise, o conceito de repetição (Wiederholung, em alemão) é muito caro e importante, especialmente quando acontece no contexto da análise ou da psicoterapia psicanalítica e, dessa forma, pode ser identificada e interpretada. A repetição, dentro do consultório, é promovida pela relação entre paciente e analista/psicóloga e significa que uma experiência afetiva de outros momentos da vida são novamente experenciados, de uma maneira atualizada pela pessoa do presente. Isso propicia o trabalho de algumas vivências infantis que estavam recalcados e inacessíveis à consciência. Ao invés do conteúdo ser lembrado, ou seja simbolizado (pois está submetido ao mecanismo de defesa do recalque e também porque encontra certa resistência do Ego), ele se manifesta por meio do que Freud chamou de atuação. Esse fenômeno seria uma forma de ação, sem que se saiba conscientemente o porquê da repetição acontecer (Almeida & Atallah, 2008). “O eu não é mais senhor em sua própria casa”, Sigmund Freud Existe a repetição de comportamentos, escolhas e atitudes em diversos momentos da vida de uma pessoa e que têm influência de conteúdos inconscientes. Alguns deles podem ser recordados e elaborados em terapia, com o apoio emocional da psicóloga psicanalítica. Referências Almeida, L. P. De; Atallah, R. M. F. O conceito de repetição e sua importância para a teoria psicanalítica. Ágora: Estudos em Teoria Psicanalítica, v. 11, n. 2, p. 203–218, jul. 2008. Freud. Recordar, repetir e elaborar. In: Obras completas, vol 12, São Paulo : Companhia das Letras, 2010.

É terapia ou é terapêutico?

Descubra o que é terapia, terapêutica e efeito terapêutico A saúde mental precisa tanto de um quanto de outro e é comum que as pessoas confundam terapia com terapêutico e vice-versa. Quando se buscam as definições para essas palavras, encontram-se as raízes em palavras gregas, vindas de um contexto dos primórdios da Medicina. Em essência: terapia é um procedimento usado para tratar alguém doente. Tem origem na palavra grega therapeia, do verbo therapeúo e significa prestar cuidados/tratar. Terapêutica vem de therapeutiké e está relacionada às escolhas das terapias que serão usadas para o tratamento de uma doença (Rezende, 2010). A terapêutica é a escolha do que será indicado/aplicado pelo profissional de saúde, que pensa nas técnicas/práticas a serem empregadas para melhora de sintomas e de condições físicas e mentais. Falando especificamente de saúde mental, a psicoterapia age no cuidado e no tratamento de condições emocionais, embora não se restrinja ao acompanhamento de transtornos em si, mas da pessoa e suas questões, conflitos, dilemas, assim como de seu desenvolvimento psíquico como um todo, em suas singularidades. As sessões envolvem fala, escuta, acolhimento, aconselhamento e interpretação, nas quais um vínculo terapêutico é estabelecido entre psicoterapeuta e paciente/cliente. A psicóloga embasa a sua escuta e técnica de condução da sessão em alguma abordagem psicológica. Falar e ser ouvido são ações valiosas para a psicoterapia. Leia também: Fala e escuta como partes de um remédio e Entenda as funções de psicólogas e psiquiatras O todo e as partes A melhora da saúde mental não se restringe às sessões de psicoterapia ou às consultas com psiquiatra. Buscar a ajuda especializada de profissionais da saúde mental é sim de suma importância, mas devemos lembrar que há complementos bastantes importantes. Aí que chegamos nas atitudes/ações/atividades que fazem diferença na rotina de quem busca se sentir melhor e obter um alívio de sintomas, aumento da autoestima, melhora da percepção de si, melhora das conexões sociais, entre muitos outros aspectos que são complementares e muito importantes para a saúde mental de pessoas e seus grupos. O que popularmente chamamos de terapêutico causa um efeito de bem-estar, alívio e ajuda em diversas condições de saúde mental. Exercícios físicos, alimentação saudável e laços afetivos significativos são pontos que sempre merecem nossa atenção. Nesses âmbitos, pode-se incluir atividades diversas que contribuam para o alívio de sofrimentos, ganho de habilidades/aprendizagem de coisas novas e até mesmo ganho de vínculos sociais (ou fortalecimento dos já existentes). O mais efetivo é buscar atividades que a pessoa goste de realizar, pois há um componente subjetivo nessas escolhas que influencia na permanência em atividades que julgamos ser terapêuticas. Outro ponto é o acesso e o tempo disponível para fazer o que se curte e o que é significativo, por isso é necessário que se discuta como o funcionamento da sociedade atual impacta nesses quesitos (salários e jornadas de trabalho dignos, políticas públicas de saúde e lazer para idosos e grupos vulneráveis, entre outros). Aliados da saúde Exemplos do que pode ser terapêutico ou que pode contribuir com efeitos positivos para a saúde: corrida, ginástica, Pilates, esportes, ouvir/estudar música, cuidar das plantas, cuidar de pets, caminhadas em parques, ler, dança, ter uma religião/cuidar da espiritualidade (se isso for um aspecto significativo para o sujeito), escrever, viajar, pintar, desenhar, cozinhar, fazer trabalhos manuais (crochê, tricô…), enfim, entre muitos outros exemplos que podem ser considerados terapêuticos. Enfim, o que chamamos de terapêutico não envolve necessariamente a ação de um médico, psicóloga, educador físico ou terapeuta ocupacional (claro, que eles também tem as suas ações/técnicas específicas e terapêuticas), ele está além da atuação desses profissionais. O equilíbrio entre as atividades cotidianas é o mais recomendado quando pensamos em cuidados integrais e que também promovam a saúde a longo prazo. Terapia, terapêutica e tudo aquilo que é terapêutico formam um mosaico quando falamos de cuidados e tratamentos de transtornos ou condições mais específicas de saúde. Leia também: Chassi de grilo e as vantagens em ser e O que o exercício físico tem a ver com a saúde mental? Referências Conselho Federal de Psicologia. Reflexões e orientações sobre a prática da Psicoterapia, Brasília, 2022. Disponível em: https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2023/06/caderno_reflexoes_e_orientacoes_sobre_a_pratica_de_psicoterapia.pdf Rezende, Joffre Marcondes de. TERAPIA, TERAPÊUTICA, TRATAMENTO. Revista de Patologia Tropical / Journal of Tropical Pathology, Goiânia, v. 39, n. 2, p. 149–150, 2010. DOI: 10.5216/rpt.v39i2.10734. Disponível em: https://revistas.ufg.br/iptsp/article/view/10734. Acesso em: 15 nov. 2025.

Raiva com r maiúsculo

Qual você escolhe como um grande representante para a raiva? Mônica (Mauricio de Sousa, 1963), Raiva (Disney, 2015) e Zangado (Disney, 1937) Eu escolho a Mônica! Quando era criança existiam o Zangado e a Mônica, obviamente, e talvez por isso tenho uma conexão mais nostálgica com eles. O/A Raiva do DivertidaMente é mais das novas gerações, mas também tem o seu carisma. Em essência, esses personagens tão famosos apresentam em comum a emoção tão intensa da raiva. Eles tem pavio curto, sabe? Pouca paciência? Sim. Impulsividade? Também! Porém cada um tem as suas singularidades. Olhando mais de perto para cada um A Mônica nos mostra bem como é a raiva: uma reação diante de algo que incomodou, afetou ou passou dos limites. Geralmente, a personagem mobiliza toda a sua agressividade quando é chamada de dentuça e gorducha, por exemplo. Nem chorar ou se isolar, ela se defende com coelhadas. A/O Raiva também se comporta de forma semelhante, trazendo reações explosivos e gritos irados. É visivelmente todo vermelho (e de cabeça quente, como se diz popularmente), com figurino mais “corporativo” e está sempre por um fio. O Zangado também demonstra a raiva, sem a menor vontade de escondê-la. Ele tem um temperamento (ou personalidade) inflexível, que enxerga mais o lado ruim dos outros e das situações. Em algumas cenas, ele chega a expressar falas machistas (sim, eu sei que é uma animação de 1937). Outros grandes adjetivos para ele podem ser: rabugento e enraivecido. Percebo que existe algo além de uma reação momentânea/pontual perante uma situação transitória. Nesse sentido, ele é um contraponto interessante à Mônica que, ao contrário do Zangado, é uma personagem alegre e disposta a estar com os amigos. Zangado, por outro lado, passa uma energia de ressentimento, quase nada de paciência e quase nada de flexibilidade nas interações com os anões e com a Branca de Neve, sendo até mesmo desconfiado. Bom, mas assim como eu escrevi no texto da vergonha, o assunto personalidade/temperamento merece um post separado. A raiva por ela mesma e como encará-la Na Língua Portuguesa temos várias expressões populares: “na hora fiquei cego de raiva”, “o sangue subiu”, “cabeça quente”, “soltar fogo pelas ventas”, “enfezado”, “acordou de ovo virado”, entre muitas outras que não me recordo agora ou não conheço ainda. A raiva é uma das emoções que frequentemente faz parte da rotina das pessoas. Sentir raiva tem a sua importância! Ela está entre os afetos básicos do psiquismo e é compartilhada com os demais animais. É uma reação perante àquilo que nos atravessou, incomodou, insultou, ameaçou ou quando nos deparamos com injustiças. A raiva tem o poder de mobilizar uma série de comportamentos de defesa, que muitas vezes estão relacionados à luta e hostilidade. Porém, devemos nos lembrar que estamos em sociedade e precisamos gerenciar como lidamos com a raiva e com os comportamentos derivados dela (Reich, 2022; Simanke, 2019). Vou trazer um exemplo bem banal: dirigir, pegar trânsito e tudo mais. Isso é algo que fortemente convoca a raiva, não é difícil saírem xingamentos e buzinas durante um trajeto. Mas, é necessário inibir tudo isso, manter a calma e evitar comportamentos agressivos ou impulsivos. Umas das funções que se estabelecem com o desenvolvimento do lobo frontal do cérebro humano é o controle inibitório e a tomada de decisões. E essa região é a que demora mais para se desenvolver. Por isso que quando somos crianças e adolescentes prevalecem os comportamentos impulsivos, agressivos ou impensados. Essa é uma explicação das neurociências. Para a psicanálise, raiva e irritação são representantes da pulsão de morte (que está no inconsciente) e são manifestações frente a um aborrecimento, frustação ou injustiça. Da raiva podem derivar sentimentos como o ódio (que é um extremo de destrutividade, que pode ter como destino outras pessoas ou a si mesmo) e a inveja (Simanke, 2019). Não é incomum que a raiva e a irritação se combinem a partir de um quadro de estresse, especialmente em cidades grandes. Ai precisamos ter mais atenção ainda, pois sentir tudo isso constantemente exige muito do emocional e do físico de uma pessoa. Ao longo do tempo, há consequências para a saúde mental e física (Cabral, 2007). Existem nuances Admitir que sentiu raiva de algo ou de alguém pode ser um desafio para algumas pessoas, que chegam a segurar ao máximo antes de extravasar essa emoção tão forte. Também é importante dizer que podemos aprender a lidar de maneira mais saudável com a raiva, assim como com os demais afetos. A raiva tem uma relação estreita com a cultura e as situações sociais. Referências CABRAL, A. C. DE Q.. Stress e o turbilhão da raiva. Estudos de Psicologia (Campinas), v. 24, n. 1, p. 125–127, jan. 2007. Disponível em <https://www.scielo.br/j/estpsi/a/ZTk3sdx7XfnKLX75RnXQ3wp/?format=html&lang=pt>. Acessos em  27  out.  2025. RECH, Dyane Lombardi et al . Técnicas para Manejo da Emoção de Raiva: Uma Revisão Sistemática. Estud. pesqui. psicol.,  Rio de Janeiro ,  v. 22, n. 1, p. 292-307,  jan.  2022. Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-42812022000100292&lng=pt&nrm=iso>. Acessos em  27  out.  2025. SIMANKE, Richard Theisen. Além do bem e do mal: algumas considerações sobre a visão psicanalítica do ódio. Rev. bras. psicanál,  São Paulo ,  v. 53, n. 1, p. 125-148,  mar.  2019.  Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0486-641X2019000100010&lng=pt&nrm=iso>. acessos em  28  out.  2025.