PAREM AS MÁQUINAS

Esse texto é uma crítica direta a uma prática que tive notícias da existência agora, em abril de 2026.

Estou sabendo que existe uma plataforma focada em “automatizar a clínica de psicologia”. ATÉ AÍ QUASE TUDO BEM… Mas esse serviço oferece algo a mais: uma ferramenta que GRAVA O ÁUDIO DA SESSÃO, TRANSCREVE, RESUME E GERA o PRONTUÁRIO do paciente. Isso para mim é um absurdo! Não tem cabimento! Fornecer quantidades enormes de informações EXTREMAMENTE SENSÍVEIS, ÍNTIMAS E SIGILOSAS para uma IA, por mais que a propaganda diga que é segura e bláblá, me provoca muito incômodo e angústia.

O prontuário é dever e função do psicólogo. Escrever um bom prontuário é parte do trabalho clínico! Ele é um registro de informações sobre o atendimento de forma condensada, com a preservação do sigilo do paciente e em poucas linhas. Se o profissional não consegue gerenciar atendimentos e tudo mais que envolve a clínica, ele precisa repensar e organizar melhor a rotina de trabalho. E é aquilo né, se não houvesse psicólogos consumindo tal serviço, o fornecimento dele com certeza já teria acabado.

E O BURACO É MUITO MAIS EMBAIXO

Algo mais elementar que está aglutinado nisso tudo e que é vital na clínica psicológica, da sessão de terapia: a ESCUTA. Autorizar uma MÁQUINA a ouvir o atendimento e TRANSCREVÊ-LO é demais para mim… O trabalho do psicólogo é a escuta atenta, que vai sendo refinada com a prática. Além disso, a memória é nossa aliada máxima. Claro que não lembraremos de todas as palavras ditas pelo paciente, somos humanos (a IA não é), mas precisamos recordar as questões e as nuances do contexto de vida do paciente. Sua história e da sua família, seus traumas, seus sofrimentos, suas alegrias e tudo mais, a partir de um vínculo humano, somente.

Qual é a necessidade de salvar páginas e páginas de transcrições de áudio? Se não forem para pesquisa científica (aprovada por comitê de ética, com a autorização da pessoa atendida e com objetivos muito bem esclarecidos) qual é a função prática de gerar e manter esse material? Entregar milhares de dados para não escrever os prontuários dos pacientes? Eu acho que esse tipo de ferramenta não deve ser usada. Gravar sessões para poupar tempo de burocracias não me convence e nunca irá.

Chega por hoje! Até o próximo post (ou não).

Esse artigo foi escrito por:

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Jacqueline Bonardi Tavares

Psicóloga – CRP 06/201399

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