Outubro de 2026, Brasil. Se você não estava dentro de uma baleia, você vivenciou este período histórico de eleições que aconteceram em dois turnos. Pensei em escrever esse texto inspirada pela estrutura do livro de Euclides da Cunha, “Os Sertões”: a terra, o homem, a luta. Claro que nas devidas proporções e adaptações.
A(s) terra(s)
Ficamos imersos entre territórios, ruas e redes, discutindo ideias e acompanhando a flutuação de pesquisas de intenção de votos e entendendo a interferência de grandes plataformas bilionárias. Ao mesmo tempo, continuamos dando conta das atividades e obrigações diárias. Depois do primeiro turno (3/10/26) e seus resultados impactantes, despertou uma grande e urgente necessidade de reação em parte da população. Brasileiros e brasileiras de todas as regiões, estados e cidades passaram dias de tensão, expectativa, ações coletivas, cansaço e preocupação. Vários territórios se conectaram: o geográfico, o digital e o mental.
O(s) homem(ns), ou melhor, as pessoas
Pessoas de todos os gêneros, etnias, jovens, idosos e classes sociais se movimentaram para que o segundo turno acontecesse e o resultado fosse favorável à manutenção da democracia e dos direitos sociais e trabalhistas.
A(s) luta(s)
O período mais critico do mês foi, sem dúvidas, os dias entre o 1º e o 2º turno. Havia vários desafios, um deles era disputar e ocupar o espaço digital que há anos apenas um dos lados do espectro político tinha força e ampla presença/engajamento constante. Foi através de um canal de WhatsApp “Exército do Lula” criado por André Janones que foi possível uma melhor organização e fonte de motivação para reverter aquele cenário todo. Nas lives feitas por ele no YouTube, pudemos entender o funcionamento dos algoritmos e de como poderíamos ocupar as redes de forma orgânica e coordenada.
E foi isso: a partir de missões para curtir-compartilhar-repostar-salvar-comentar no Instagram, subir hashtags no X, postar fotos e conteúdos de campanha, pôde-se ocupar esse território e mobilizar muitas pessoas, sempre a partir das orientações postadas no canal. Junto a isso, atos, caminhadas e manifestações nas ruas aconteceram no Brasil inteiro, com cada vez mais gente participando, inclusive artistas famosos. Brasileiros e brasileiras puderam se engajar, inclusive falando claramente sobre o seu voto e dizendo a importância dele, especialmente para aquelas que não votaram no primeiro turno.
Vale destacar a capacidade incrível dos brasileiros de fazerem memes, criarem paródias, coreografias, vídeos e tudo mais com muita criatividade, movimentando muito as redes. Teve também homens descamisados nas manifestações cujas fotos viralizaram na internet depois dos atos. Somaram-se também as previsões de cartomantes e sensitivos que deram as suas contribuições e indicando o vencedor.
Assim foi até o dia decisivo, o da votação em si, pois só curtidas não ganham eleição. Pessoas de todas as idades e aptas a votar se organizaram para tal. Nas capitais e nos interiores, de norte a sul (mesmo com menos transporte público disponível em São Paulo e Salvador) os/as brasileiros/as cumpriam o seu dever, inclusive os/as que vivem no exterior, além mar. Elas se deslocaram (de ônibus, barco, avião, carro, a pé, carona), algumas até foram levadas, para que no dia 25/10 registrassem a sua vontade na urna. A virada e a vitória foram históricas.
Nunca antes na história deste país
Após os resultados, capas de jornais chegaram às bancas no dia seguinte e esgotaram (não parem as máquinas). Jornais físicos venderam que nem água em plena era digital. Devido ao sucesso e ao engajamento popular nestas eleições, outros países começaram a se interessar pelos métodos digitais usados aqui e demonstraram apoio ao Brasil em suas próprias manifestações de rua, além das otimistas declarações públicas de outros líderes mundiais. O Brasil virou o resultado do primeiro turno e, mais do que isso, virou um grande exemplo para outras populações. É um outubro para recordar, com certeza.
Para concluir, estejamos conscientes de que para existir certa governabilidade a partir de 2027 muitas lutas ainda acontecerão.
Daqui me despeço, do lado dos direitos humanos, da manutenção da democracia, da constituição e da permanência de direitos. Afinal, o Brasil é dos brasileiros!

